Mês: agosto 2014

Rapel na Pedra da Boca

Até que enfim um “passeio fit” que não é no outro lado do mundo né?

O Parque Estadual da Pedra da Boca fica no município de Araruna – PB, divisa com o Rio Grande do Norte, e é conhecido pelo turismo de aventura. Visita obrigatória para quem curte esportes verticais, a pedra tem esse nome devido a uma cavidade na sua formação rochosa, que dizem se parecer bastante com uma boca aberta.

No Parque, há uma grande diversidade de trilhas, lugares para rapel e para escadala, de acordo com a resistência física e o tempo disponível do visitante. Nosso guia e instrutor, Julio, nos levou por uma trilha bem legal até uma pedra de altura mediana, para descer de rapel. A caminhada começava tranquila, depois passava por algumas cavernas onde tínhamos que nos contorcer para atravessar pequenos espaços, mas nada perigoso, tudo muito divertido!

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Juro que olhei e achei que fosse fisicamente impossível. Mas taí! A camisa suada e a perna suja de terra são um charme à parte.

20131012_143207 DSC037972O Julio é presidente da Associação Paraibana de Escalada, conhece como ninguém os paredões e foi responsável pela abertura de inúmeras vias de escalada. Foi ele quem nos guiou e deu todas as instruções necessárias para o rapel (quem quiser contacta-lo: http://castelliano.wix.com/pedradaboca #recomendadíssimo). Ficamos impressionados com a habilidade e naturalidade dele nas pedras mais íngremes, parecia estar na própria casa!

Eu e nosso guia Julio

Olha o Julio aí!

Então, a melhor parte: descer! Na verdade, a descida de rapel é tão legal que ficamos subindo e descendo várias vezes. Os primeiros metros eram meio que na diagonal – muito bom pra se acostumar com a técnica, depois descíamos totalmente na vertical, emocionante! Teve gente do nosso grupo que hesitou um pouco, disse ter medo de altura, medo da corda, medo de não conseguir.. mas todo mundo terminou se rendendo e adorou, foi unânime!

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Mini escalada pra chegar no todo da pedra

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Aquela foto que faz sua mãe pirar! kkk

Eu e Keyla, time das meninas deu show no rapel!

Eu e Keyla, time das meninas deu show no rapel!

Primeira parte da descida

Primeira parte da descida

Início da parte reta!

Início da parte reta!

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Keyla e Paulinho, Eu e Erick, casais adventure!

20131012_162524Que a energia é boa já deu pra notar, mas é bom enfatizar também todos os benefícios físicos dessa aventura. O rapel desenvolve a força muscular do corpo todo, melhora o senso de equilíbrio e a coordenação motora, mantém o poder de concentração aguçado e ainda trabalha a flexibilidade e elasticidade. Isso tudo sem falar que, como toda atividade aeróbica, melhora a resistência em geral.

A prática de esportes de aventura têm, ainda, grande vantagem mental. Com toda essa adrenalina e contato com a natureza, o stress acaba passando longe do seu dia-a-dia.

No site que mencionei, tem todas as informações necessárias, inclusive de hospedagem e alimentação. Faça uma visita, você não vai se arrepender. Eu não vejo a hora de voltar lá e arriscar uma pedra mais alta! 🙂

Meu beijo e boas aventuras!

A culpa não é só sua!

Sabe quando você acha que come “normal” e sem exageros, e mesmo assim aquela gordurinha extra insiste em não sair dalí? Pois é, talvez a culpa não seja só sua.

gordurinha-localizada-baixa

Pra explicar, alguns dados são essenciais. Entre 1976 e 2000, a dieta em geral nos Estados Unidos diminuiu considerável e espantosamente seu nível de gordura em 11% e até mesmo o número de calorias ingeridas em 4%. Mesmo assim, a obesidade no país aumentou em 31% exatamente no mesmo período.

Ou seja, percebeu-se que “engordar” nem sempre quer dizer “ingerir mais gordura”. O fenômeno ficou conhecido como paradoxo americano, mas, na verdade, atinge boa parte do planeta.

O pesquisador Gérard Ailhaud fez outra constatação importantíssima nesse aspecto: a massa de tecido gorduroso em crianças com menos de 1 ano dobrou entre 1970 e 1990 – até os bebês estão mais “gordinhos”! E, nesse caso, não dá pra colocar a culpa no fast food ou na falta de educação física, né? E não, os bebês não estão sendo superalimentados ou algo parecido, eles estão recebendo a mesma quantidade de leite de sempre, independentemente do leite ser materno ou artificial.

bebes enfezados bico_thumb[2]

A explicação vem daquela aulinha de ensino fundamental sobre cadeia alimentar.

Bois e vacas devem se alimentar de pasto. Pasto é rico em ômega-3. Logo, o leite de vaca, todos os seus derivados e a própria carne de boi devem estar concentrados desses ácidos graxos, assim como os ovos de galinhas alimentadas com forragem. Desta forma, nós, ao ingeri-los, deveríamos estar ingerindo também boas quantidades de ômega-3.

O problema é que, com o crescimento demasiado da demanda por laticínios e carne bovina, os criadores de gado tiveram que aderir à criação confinada e abolir a pastagem, ou seja, os animais deixaram de ter um ciclo de vida saudável e passaram a ser alimentados praticamente só de trigo, soja e milho, por sua vez, ricos em ômega-6 e extremamente carentes em ômega-3. Assim, quando nós nos alimentamos de carne bovina e seus derivados, estamos consequentemente nos entupindo de ômega-6.

Você também fica meio confuso com essa coisa de ômega-3/ômega-6, quem é do bem/quem é do mal?

Sem títuloPensando nisso tudo, reuni aqui algumas dicas legais para ajudar a equilibrar nossa alimentação:

1. Risque a margarina da listinha do supermercado!margarina

Tudo bem, é verdade que a margarina tem menos gordura animal que a manteiga e a gente vive evitando os alimentos amanteigados por aí. Mas não se pode esquecer que as margarinas são, em geral, feitas com óleo de girassol (70x mais ômega-6 que ômega-3), óleo de soja (7x mais) ou óleo de canola (apenas 3x mais, mas extremamente artificial e danoso – vale evitar SEMPRE!) como base. Isso sem falar na gordura trans, muitíssimo mais presente na margarina que na manteiga.

2. Prefira alimentos no lugar de industrializados

Li um livro uma vez cujo conceito era: Eat Food (Coma Comida, em português), simples assim. O ponto crucial é que, na verdade, a maioria do que comemos hoje em dia não é comida, no conceito do autor. Se algo está dentro de uma embalagem, a princípio, já merece questionamento. Mesmo assim, ele aconselha checar os ingredientes: qualquer nome impronunciável ou que você mesmo desconhece acusa um nível além do aceitável de química, ainda mais se houverem mais que 5 ingredientes na lista – a grande maioria dos alimentos saudáveis usam menos que isso na sua composição.

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Eu sei, viver tão natureba assim exige um esforço quase sobrenatural na nossa sociedade, mas, acredite, vale a pena tentar. Os industrializados são, essencialmente, repletos de gordura trans, que é, basicamente, todos aqueles óleos já mencionados, só que modificados para se tornarem sólidos à temperatura ambiente. Essa transformação os torna ainda mais inflamatórios e menos digeríveis.

E, só pra endossar seus malefícios, mais um dado: em 2004, o Ministério da Saúde da Holanda chegou a um número de mortes devido ao consumo de gordura trans SUPERIOR ao número de mortes por acidente de carro no mesmo período.

3. Faça trocas inteligentes

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O azeite de oliva substitui maravilhosamente bem os óleos desequilibrados em ômega-6. Nas receitas doces, use o óleo de coco no lugar dos demais. Por fim, prefira os orgânicos. No caso de carnes e ovos orgânicos, tente procurar rótulos que especifiquem “alimentação de pastagem” ou “rico em ômega-3”, porque, apesar da redução em pesticidas, hormônios e antibióticos, nem todos possuem equilíbrio do nível de ômega-3.

4. Se apaixone pela LINHAÇA

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Ela é a única semente do reino vegetal que possui mais ômega-3 que ômega-6, é recheada de fibras que atuam na liberação da glicose no sangue – o que reduz o acúmulo de gordura no corpo -, traz benefícios ao coração, ao intestino e ainda reduz o risco de câncer. Fantástica né? Não é à toa que essa sementinha é cultivada desde a Antiguidade, usada no pão que o povo romano comia.

A verdade, no fim das contas, é que esse desequilíbrio em ômega-6 presente na nossa alimentação se dá, infelizmente, por imposição da indústria alimentícia e prejudica drasticamente nossa saúde. No entanto, como para tudo há solução, podemos nos informar cada vez mais e passar a fazer escolhas mais saudáveis para trazer de volta a harmonia no nosso organismo. Dá pra ter um corpo saudável por dentro e por fora se tivermos consciência de que um é consequência do outro, e passarmos a cuidar de nós mesmos como um todo, saúde, estética e conhecimento!

Todos os dados e informações que usei nesse post foram providos de um livro fantástico que todo ser humano deveria ler: Anticâncer, de David Servan-Schreiber, um médico cientista que passou pela experiência de um câncer e aprendeu a lutar contra ele. Esse e outros livros vão ser recomendados aqui no blog, logo logo.

Meu beijo e vamos tentar comer direitinho!

Correndo nas trilhas

Correr é uma delícia. Seja na areia, no asfalto, na esteira.. Mas correr em trilha, não dá pra negar, tem um tempero especial. Além de toda atmosfera de natureza que tira seu foco do cansaço e te leva a relaxar mesmo suando, a diferença de terreno é extremamente estimulante. O provável é que ele mude várias vezes dentro de uma trilha só! Da lama até a pedra, passando pela areia e pela terra seca, a transformação quase sempre inclui boas subidas e descidas. Ou seja, passa longe de ser algo entediante.

Nos meus últimos dias no Hawaii, experimentei uma corrida na trilha. O percurso de, em média, 5 milhas (ou 8km), foi no meio da Floresta de Maunawili – que já falei aqui no blog – todo entre árvores, terra, pedras, riachos e penhascos – lindo de ver, exaustivo de correr, mas valeu muito a pena. Não era tão cheia de lama quanto a última trilha que havia feito por lá, mas em certo ponto, as trilhas se cruzavam e tinha como continuar correndo em direção a cachoeira, no meio do lamaceiro. Graças a Deus, não era nossa intenção, então continuamos pelo solo mais seco.

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A vista no começo da trilha

Fui com meu irmão, um casal de amigos e uma integrante do grupo H.U.R.T. (Hawaiian Ultra Running Team), uma equipe que treina para ultramaratonas e trilhas no Hawaii, ela tem por volta dos 60 anos e, tenho que admitir, me humilhou bonito na disposição. A ideia era, inclusive, fazer 7 milhas, mas com tanta descida, subida, lama, pedra e medo de cair, eu tive que desistir antes disso, faltou fôlego. Mas tudo bem, continuo “correndo atrás”.

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Selfie time!

A verdade é que correr em trilhas não faz só diferença na sua mente, exige mais de todo seu corpo, até mesmo cuidados específicos com ele. Pensando nisso, aqui vão algumas dicas que recebi por lá e acredito serem realmente úteis.

1. Em primeiro lugar, não se recomenda correr sozinho. As chances de se torcer o pé, escorregar ladeira abaixo ou se perder no meio do caminho são maiores do que se imagina. Levar o celular poder ser uma boa também, mas, dependendo da trilha, é bem provável que não haja sequer sinal. Portanto, prefira ir acompanhado de qualquer forma.

2. Leve água. Eu sei que a água é essencial em todo tipo de corrida, mas é sempre bom lembrar, principalmente se tiver como levá-la sem comprometer o uso das mãos.

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Existe uma infinidade de cintos como esse para carregar água e até comidinhas. Fotoreprodução: http://blog.altrazerodrop.com/

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O camelback é essa mochilinha com uma bolsa interna para líquidos, super prática para longas corridas! Fotoreprodução: http://gearjunkie.com/

3. Em algum casos, é inevitável se apoiar em troncos, árvores e galhos, ou até subir em pedras mais íngremes. Por isso, além de evitar levar a garrafinha d’água na mão, o uso de luvas também poder ajudar bastante.

4. Por fim, o mais importante: tenha um treino específico para trilhas. Inclua subidas de diferentes dificuldades, treinos de fartlek para se habituar às mudanças de ritmo e uma preparação especial dos músculos para equilíbrio. E, principalmente, procure um profissional para te instruir nisso tudo.

Em resumo, tome todos os cuidados e vá correr!

Abaixo, mais algumas fotos da trilha que fiz em Maunawili, na ilha de Oahu, Hawaii.

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Viva à liberdade de escolha!

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Início da trilha

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Sempre tem quem desista dos sapatos no meio do caminho!

Chuveirinho de uma caixa d´água no meio da trilha

Chuveirinho de uma caixa d´água no meio da trilha

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O irmão mais paciente do mundo em ter me acompanhado morta de cansada!

Beijo e vamo correr!