A culpa não é só sua!

Sabe quando você acha que come “normal” e sem exageros, e mesmo assim aquela gordurinha extra insiste em não sair dalí? Pois é, talvez a culpa não seja só sua.

gordurinha-localizada-baixa

Pra explicar, alguns dados são essenciais. Entre 1976 e 2000, a dieta em geral nos Estados Unidos diminuiu considerável e espantosamente seu nível de gordura em 11% e até mesmo o número de calorias ingeridas em 4%. Mesmo assim, a obesidade no país aumentou em 31% exatamente no mesmo período.

Ou seja, percebeu-se que “engordar” nem sempre quer dizer “ingerir mais gordura”. O fenômeno ficou conhecido como paradoxo americano, mas, na verdade, atinge boa parte do planeta.

O pesquisador Gérard Ailhaud fez outra constatação importantíssima nesse aspecto: a massa de tecido gorduroso em crianças com menos de 1 ano dobrou entre 1970 e 1990 – até os bebês estão mais “gordinhos”! E, nesse caso, não dá pra colocar a culpa no fast food ou na falta de educação física, né? E não, os bebês não estão sendo superalimentados ou algo parecido, eles estão recebendo a mesma quantidade de leite de sempre, independentemente do leite ser materno ou artificial.

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A explicação vem daquela aulinha de ensino fundamental sobre cadeia alimentar.

Bois e vacas devem se alimentar de pasto. Pasto é rico em ômega-3. Logo, o leite de vaca, todos os seus derivados e a própria carne de boi devem estar concentrados desses ácidos graxos, assim como os ovos de galinhas alimentadas com forragem. Desta forma, nós, ao ingeri-los, deveríamos estar ingerindo também boas quantidades de ômega-3.

O problema é que, com o crescimento demasiado da demanda por laticínios e carne bovina, os criadores de gado tiveram que aderir à criação confinada e abolir a pastagem, ou seja, os animais deixaram de ter um ciclo de vida saudável e passaram a ser alimentados praticamente só de trigo, soja e milho, por sua vez, ricos em ômega-6 e extremamente carentes em ômega-3. Assim, quando nós nos alimentamos de carne bovina e seus derivados, estamos consequentemente nos entupindo de ômega-6.

Você também fica meio confuso com essa coisa de ômega-3/ômega-6, quem é do bem/quem é do mal?

Sem títuloPensando nisso tudo, reuni aqui algumas dicas legais para ajudar a equilibrar nossa alimentação:

1. Risque a margarina da listinha do supermercado!margarina

Tudo bem, é verdade que a margarina tem menos gordura animal que a manteiga e a gente vive evitando os alimentos amanteigados por aí. Mas não se pode esquecer que as margarinas são, em geral, feitas com óleo de girassol (70x mais ômega-6 que ômega-3), óleo de soja (7x mais) ou óleo de canola (apenas 3x mais, mas extremamente artificial e danoso – vale evitar SEMPRE!) como base. Isso sem falar na gordura trans, muitíssimo mais presente na margarina que na manteiga.

2. Prefira alimentos no lugar de industrializados

Li um livro uma vez cujo conceito era: Eat Food (Coma Comida, em português), simples assim. O ponto crucial é que, na verdade, a maioria do que comemos hoje em dia não é comida, no conceito do autor. Se algo está dentro de uma embalagem, a princípio, já merece questionamento. Mesmo assim, ele aconselha checar os ingredientes: qualquer nome impronunciável ou que você mesmo desconhece acusa um nível além do aceitável de química, ainda mais se houverem mais que 5 ingredientes na lista – a grande maioria dos alimentos saudáveis usam menos que isso na sua composição.

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Eu sei, viver tão natureba assim exige um esforço quase sobrenatural na nossa sociedade, mas, acredite, vale a pena tentar. Os industrializados são, essencialmente, repletos de gordura trans, que é, basicamente, todos aqueles óleos já mencionados, só que modificados para se tornarem sólidos à temperatura ambiente. Essa transformação os torna ainda mais inflamatórios e menos digeríveis.

E, só pra endossar seus malefícios, mais um dado: em 2004, o Ministério da Saúde da Holanda chegou a um número de mortes devido ao consumo de gordura trans SUPERIOR ao número de mortes por acidente de carro no mesmo período.

3. Faça trocas inteligentes

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O azeite de oliva substitui maravilhosamente bem os óleos desequilibrados em ômega-6. Nas receitas doces, use o óleo de coco no lugar dos demais. Por fim, prefira os orgânicos. No caso de carnes e ovos orgânicos, tente procurar rótulos que especifiquem “alimentação de pastagem” ou “rico em ômega-3”, porque, apesar da redução em pesticidas, hormônios e antibióticos, nem todos possuem equilíbrio do nível de ômega-3.

4. Se apaixone pela LINHAÇA

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Ela é a única semente do reino vegetal que possui mais ômega-3 que ômega-6, é recheada de fibras que atuam na liberação da glicose no sangue – o que reduz o acúmulo de gordura no corpo -, traz benefícios ao coração, ao intestino e ainda reduz o risco de câncer. Fantástica né? Não é à toa que essa sementinha é cultivada desde a Antiguidade, usada no pão que o povo romano comia.

A verdade, no fim das contas, é que esse desequilíbrio em ômega-6 presente na nossa alimentação se dá, infelizmente, por imposição da indústria alimentícia e prejudica drasticamente nossa saúde. No entanto, como para tudo há solução, podemos nos informar cada vez mais e passar a fazer escolhas mais saudáveis para trazer de volta a harmonia no nosso organismo. Dá pra ter um corpo saudável por dentro e por fora se tivermos consciência de que um é consequência do outro, e passarmos a cuidar de nós mesmos como um todo, saúde, estética e conhecimento!

Todos os dados e informações que usei nesse post foram providos de um livro fantástico que todo ser humano deveria ler: Anticâncer, de David Servan-Schreiber, um médico cientista que passou pela experiência de um câncer e aprendeu a lutar contra ele. Esse e outros livros vão ser recomendados aqui no blog, logo logo.

Meu beijo e vamos tentar comer direitinho!

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