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Começando a correr

Há algum tempo atrás, me pediram para escrever sobre “como começar a correr” e, como tenho ouvido bastante “ah, eu não consigo correr” ou “eu canso muito rápido!” ou até “eu não sei respirar correndo”, resolvi que era hora de falar sobre o assunto por aqui.
Em primeiro lugar, não existe isso de não conseguir correr. A não ser que você realmente tenha algum problema ou deficiência físicos, você é tão capaz quanto eu ou o Usain Bolt, basta querer. E correr cansa mesmo, cansa muito! Se não fosse para cansar, ficávamos no sofá comendo brigadeiro, certo? Não pense você que depois de terminar 21km de prova, eu ou qualquer outro corredor saímos saltitando de disposição. De fato, mesmo que o percurso seja de 5km, o cansaço é a primeira prova de que foi bem feito. Corrida exige seu máximo, exige esforço físico e mental, exige preparo. E, para ganhar preparo, é preciso começar.

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É bem verdade que aquelas pessoas que sempre praticaram esportes e tiveram uma infância/adolescência ativas irão sentir mais facilidade quando entrarem no mundo da corrida. Homens, principalmente. Eles são comprovadamente corredores mais rápidos, tanto que se adaptam melhor aos treinos intervalados de intensidade que aos treinos de longa distância. Mas isso não quer dizer que nós, mulheres, sejamos menos capazes, quer dizer apenas que precisamos nos empenhar.

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Antes de qualquer recomendação, quero deixar registrada a maior e melhor delas: procure um treinador físico. Profissionais da área montam uma planilha de treino específica para seu corpo, sua rotina e suas vontades. Só eles sabem a melhor forma de te fazer alcançar metas sem prejudicar sua saúde e, por experiência própria, te fazem evoluir muito mais rápida e menos penosamente.

Quando eu comecei a correr, por ser uma “militante da causa” da corrida como esporte individual e de auto-conhecimento, também me considerava auto-suficiente para ditar meus próprios treinos. Se resolvia correr 5km, corria os 5km e mantinha a distância até a semana seguinte, onde subia para 6km e assim por diante. O problema é que, quando você alcança uma certa quilometragem, por mais que diariamente pareça razoável, o volume semanal pode prejudicar sua saúde, lesionar seu corpo e te levar ao chamado “overtraining” (literalmente falando, excesso de treino).

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Tinha acabado de conquistar minha marca de 10km quando procurei por orientação na Assessoria Esportiva Tarso Matos. Assim que me deparei com uma planilha cheia de treinos de 5 e 6km, fiquei indignada. Achava que se voltasse a correr essas distâncias, nunca iria evoluir. Pura ignorância! Aprendi que a variação de treinos é, além de prazerosa, extremamente necessária à nossa evolução, gerando uma mudança de estímulos que só traz benefícios ao nosso corpo.

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Dito isso, passarei a algumas dicas simples e práticas que recebi da minha assessoria ao longo de mais de 2 anos, e que a própria experiência me trouxe.

1. Tenha paciência consigo mesmo. No começo, você pode se decepcionar com a sua falta de fôlego e dores musculares do dia seguinte, achar que esse esporte não é para você e ficar tentado a desistir. Não o faça. O folêgo, as dores e a preguiça vão melhorar com o tempo e, quando se der conta, vai ficar orgulhoso de si.

2. Inspire pelo nariz e expire pela boca. Foco nisso. A famosa “dor desviada” é muito comum em iniciantes e simplesmente some quando você se concentra em respirar fundo. Falar ou cantarolar na corrida também faz entrar ar pela boca, hein?

3. Como adepta dos fones, minha dica pessoal é: baixe uma BOA playlist. Não precisa ouvir nas alturas (principalmente se for correr na rua), mas uma batida agitada dá o pique extra quando as pernas já estão cansadas. Tem a minha playlist aqui!

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4. Aqueça antes. Começar a correr com o corpo frio dá desânimo e desconforto, sua mente só te pede para parar. Faça um trote leve de, no mínimo,  500m e vai se sentir bem melhor para começar na velocidade certa.

5. Controle a pressa. Você vai começar toda disposta e querer dar seu máximo logo nos primeiros 100m. Controle-se. É mais válido começar devagarzinho e ganhar confiança para terminar o percurso com o passo acelerado, que começar naquela vontade e não conseguir terminar. Procure iniciar num ritmo que possa manter do começo ao fim (sem contar o aquecimento!), estabilidade é a chave.

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6. Preste atenção se está movendo muito o tronco e os braços. Não precisa deixá-los tensos e parados, mas mexê-los demais acaba gastando energia desnecessária. Encontre o seu equilíbrio, onde os braços não cruzam a frente do tronco, não se movem enlouquecidamente, mas também não travam sua musculatura.

7. Beba água. Tendemos, a vida inteira, a somente beber água quando sentimos sede. Não faça isso, nem no escritório, nem na corrida. Se mantenha hidratado o percurso inteiro, com goles pequenos de água que não incomodem no estômago. A sede é o primeiro sintoma da desidratação, corra dela!

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Por fim, quando as pernas doerem, o coração estiver saindo pela boca e sua mente insistir que não vai dar, mostre que é mais forte que tudo isso, continue, e vai se sentir um herói na linha de chegada (seja ela real ou imaginária). Corra pela barriga sarada, corra para baixar aquele colesterol, corra até o fim da música, corra para diminuir seu tempo, para completar aquela distância, mas corra! Porque correr é bom demais 🙂

Beijos e bora correr!